22 de out de 2008

A espera

Já disse adeus aos amantes. Anotei endereços de amigos. Arrumei a mochila que basta para carregar pequenas certezas, várias dúvidas e um desejo. Deveria bastar.
Mas o que me perturba o coração nem é bem a viagem. É o momento de embarcar que depende de você.
Sento na beirada da cama, e espero. Levanto. Vou a cozinha. Bebo um pouco de água. Estou com a garganta seca. Olho para o relógio. Chega a madrugada e a campainha não toca. Respiro fundo. Arrisco te buscar.
Penso que você está do lado de fora. Parado. Incapaz de avançar.
Levanto e deixo minha bolsa para traz. Esqueço também a capa de chuva e a carteira. Caminho no corredor e tropeço no tapete. Tenho as chaves na mão. Devo abrir?
Através da porta, imagino que minha sombra te pareça tênue e difusa.

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