7 de set de 2008

Setembro começou com incertezas.















Setembro começou com incertezas. Seria coerente um princípio angustiante de mês se dar em junho ou julho. Junto com o inverno, no frio, no escuro, na casa vazia. No tremor insistente do vento naquela fresta mal fechada da janela da frente. No som frio do metal na porcelana. Percebe como o café esfria rápido nesses dias? Combinariam mais assim, essas mal convidadas incertezas. E mais ainda se chovesse.


E apesar de não combinar, esse setembro começou com chuva. Não a chuva leve de gotas brilhantes e finas que refrescam a tarde e o jardim, mas uma chuva insistente, presente e invasiva. Uma chuva deslocada, mal humorada e desesperançada. Será que meu setembro virou julho?

Acordei e não abri os olhos. Sinto a claridade do quarto e prefiro pensar que há sol. E que me aquecerá o rosto. O ar frio arranha-me a pele e força-me a enfrentar esse domingo chuvoso. Temo que, ao passar o dia com essa chuva por companheira, o tempo se esqueca de ir embora, se deixe ficar e com ele fiquem também os minutos e as horas.

Esse abandono me trará todas as incertezas que não combinam comigo nem com setembro. Terei receios. Terei saudades. Uma dúvida. Algum susto. E assustada percorro um caminho conhecido, avisado. Por que, então, insisto?

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