30 de set de 2008

sem pressa

De onde vem tanta pressa?
Para onde aponta, ligeiro, teu olhar curioso?
Devagar terias tempo de sentir o inverno e não apenas te agasalhar.
O frio também tem encanto.
De mansinho poderias mesmo deixar-se acompanhar por pés, ao invés de rodas.
Tanto terias a escutar onde hoje só admites falar.
Escuta, então. Conta teus passos ao caminhar.
Estica o braço, espalma a mão e passeie seus dedinhos pelas grades dos portões.
Saia da calçada de vez em quando.
Esqueça a chave de casa, perca a hora, mate o tempo, ganhe histórias.
Desfaça as tranças que vovó prendeu.
Esqueça a maquiagem, que hoje ninguém te obriga a parecer mais séria.

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