30 de set de 2008

a boa preguiça

Devia haver uma lei que protegesse o sagrado direito de permanecer mais quinze minutos debaixo das cobertas numa manhã fria de inverno. O direito de prolongar a sensação de ter todo o seu corpo aquecido, enquanto o resto do mundo lá fora gela. Assim como gelada está a ponta do seu nariz e o dedo do pé que fugiu dos lençóis.

Essa lei deveria normatizar a seqüência de ruídos perfeita e harmônica que tornariam menos traumático o despertar cotidiano. Nada de canto de passarinhos que dos românticos já nos libertamos. Mas a bagunça e os gritinhos das crianças correndo para a escola deveriam vir depois, jamais antes, do portão de ferro do vizinhos bater com força pela segunda vez.

E, sim, proibir terminantemente o soar de qualquer campainha. É necessário permanecer ainda com olhos fechados até ouvir o último tilintar de chaves na porta da frente.
Só então, na certeza de estar absolutamente sozinho, estender os braços, bocejar, contorcer-se e esticar-se. Enfim, acordar.

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