7 de ago de 2008

Mukeka é o nome do gato



A menina olhava de canto para gatos. Assim meio – ou toda – desconfiada mesmo. Bicho estranho. Não gostava de gatos. Quando criança um arranhara-lhe o braço. Nem lembrava mais da última vez que tentou aproximação. Para si mesma justificava: "Gatos não gostam de mim". E seguiu na certeza de que jamais precisaria se relacionar com um representante dessa espécie.

Agora estava ali, paralisada, coração disparado. As mãos suavam. Dessa vez olhava o gato de frente. Entre os dois, uma parede de vidro, que, encravada no muro amarelo havia se tornado um desafio a ser vencido. Há meses passava em frente àquela casa, caminho de todos os dias, e sempre hesitava.

Entrou. E o que a fez entrar foram os olhos azuis mais intensos que já vira. Nem sabia que um gato podia ter olhos azuis. Ou sabia, como aquelas coisas que são sabidas e esquecidas. É macho? Sim. Quantos meses? Um. Vacinado? Ainda não, mas para adotar precisa vacinar. Ah, tá. Pega no colo. Eu? É, pega.

Pegou.

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